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[Sexta-feira, Dezembro 31, 2010]
< 2010 >
Nesse último dia do ano, só desejo que o próximo seja melhor do que esse foi....
[Segunda-feira, Agosto 30, 2010]
< PRESSA >
Corremos, corremos, corremos, depois conversamos, depois vivemos...
A vida, afinal, acontece muito de repente.
[Segunda-feira, Março 22, 2010]
< PERDA >
Dino, você foi responsável pela minha perda mais autêntica. Não sei como chegar em casa e não te encontrar pelo corredor. É um luto incomparável, incomensurável.
Dói saber que você morreu no dia em que acabou o verão, o dia mais triste da minha vida. Começará o outono é você não estará para vê-lo. Você nos alegrou por 13 anos, fez parte da nossa família da maneira mais intensa e vai deixar um buraco muito grande, uma saudade infinita.
Você sempre será insubstituível, será nosso cãozinho para sempre.
Espero que você esteja bem melhor agora. Olhe sempre por nós aí de cima, nosso anjinho de quatro patas. E que possamos nos reencontrar um dia.
Nós te amamos muito.
[Terça-feira, Março 09, 2010]
< SAUDADES DE MEUS 8 ANOS >
Cheguei ao meu primeiro quarto de século vivido. Quanto mais o tempo passa, mais eu percebo que os sonhos foram atropelados pela realidade, que existe uma dificuldade enorme para conquistar a felicidade e a utopia continua.
Nesse balanço, algumas mudanças se mostram inerentes e cruciais. Mais adulta, menos sonhadora. Menos serena, mais sisuda. Mais sensata, menos sensível. Menos menina, mais mulher.
Só espero conseguir superar todas as forças contrárias, desequilíbrios e paradoxos.
Rumo à felicidade, sempre.
[Quinta-feira, Dezembro 17, 2009]
< MASSACRE >
O trabalho aniquila o cérebro, mata o pensamento crítico e destrói a arte poética.
[Segunda-feira, Setembro 14, 2009]
< PERSISTÊNCIA >
Se há algo admirável é essa força que impele o homem à luta. Falo desse resquício de força, uma fagulha de luz, que o faz continuar, dar prosseguimento à vida, mesmo quando não há esperança, tudo está perdido e ele está reduzido até a última baixeza.
Falo do pai que perdeu mulher e filhos nas enchentes, falo do ser miserável que busca comida no chão para se alimentar, do paciente terminal que tenta até o último momento o tratamento, do suicida que muda de ideia, do esportista que fica tetraplégico, do rapaz que perde a noiva com tiro perdido na rua, falo até perder a conta dos inúmeros exemplos de quem não tinha porquê continuar, mas segue adiante.
Fico admirada com algo a que atribuíram o nome de "instinto de sobrevivência", para viver sei lá para quê. O ser humano me espanta.
< FULL-TIME >
Dias sem hora para terminar. Excesso de trabalho. Semanas desesperadoras. Vontade de viver de brisa, caminhar descompromissada sobre a areia, fugir da rotina. Difícil suportar tamanha pressão e, apesar do fardo, manter o sorriso no rosto. Ironia: quando a gente escolhe a profissão e o caminho a seguir, é justamente para NÃO ser assim...
[Sábado, Agosto 08, 2009]
< BARBÁRIE >
Nós, seres humanos da pós-modernidade, somos movidos pelo pânico. Como se fosse combustível, atiramo-nos às ondas de desgraça a tornamos as dores do mundo como se fossem nossas próprias. Grandes tragédias, terrorismo, massacres espetaculares - tudo contribui para aumentar o mal estar gerado pelo caos.
De repente, hipocondríacos e até mesmo completamente sãos se deslocam ao hospital, acreditando possuir o mal do século. Não fossem poucas as nossas desgraças, rouba o cenário essa tal de nova gripe, que se dissemina à velocidade da luz, para coroar o desespero coletivo.
[Quarta-feira, Julho 29, 2009]
< DESPEDIDA >
Instala-se um buraco no peito à medida que se aproxima a hora da despedida. Surgem as lágrimas, a voz embargada. Pode parece bobagem, mas dói, mesmo quando o “adeus” é só um “até logo”.
Ao separar peças de ímã harmonicamente unidas, o coração ganha ar tão melancólico quanto janela aberta em dias de frio.
O som gélido do vento adensa o cenário de forma estonteante. É um uivo que reverbera na alma, que ecoa como um lamento dolorido e triste.
< IN A HURRY >
Algum tempo sem escrever, porque, novamente – e talvez mais do que nunca – abracei o mundo e não me dei conta de que meus braços eram curtos para a extensão do que anseio.
Medida de urgência: preciso registrar em meu dicionário interno a palavra “limite”.
[Quarta-feira, Julho 08, 2009]
< FEELINGS >
Parece que estou pisando nuvens. O marchar da vida parece infinitamente menos árduo. Os dias estão mais doces. Ando cantando e rindo à toa. Inspirada e com vontade de me embrenhar no novo, feito pintor diante de tela branca ou poeta com papel vazio. Vieram tintas, vieram versos.
Sensação de bem estar, apesar do cenário caótico, atordoante e cinza-depressivo do dia-a-dia. Feito mágica, uma pessoa, com sua presença, já faz tudo ser diferente e colorido, como se até bronca de chefe fosse motivo de sorrir. Acho que encontrei a resposta de todas as minhas perguntas.
[Sexta-feira, Julho 03, 2009]
< DE CABEÇA PARA O AR >
Se o inferno existe, ele pode ser traduzido como uma casa em vias de mudança: reina o caos e o desespero. Não há espaço para vida humana. Todos os cantos foram tomados pelas caixas, Nossa vida está embalada, empacotada, selada com fita durex e parece que nunca mais conseguiremos colocar os pertences em suas devidas posições.
Queria "varinha mágica" que transportasse todos os pacotes, e já pusesse seus conteúdos no novo espaço em que ficarão. Nada pode ser mais desesperador do que ter em seu próprio lugar um não-lugar.
[Sábado, Junho 27, 2009]
< PREPARANDO AS MALAS >
O conceito de "lar" foi a vida inteira o mesmo. A mesma casinha, o espaço confortável que nos abrigou e fez parte de nossa memória.
Essa semana fechamos um ciclo dessa história. Vamos nos mudar. É um lugar maior, com mais conforto. Por melhor que isso seja, até nos acostumarmos ao novo conceito de "lar", pode soar ridículo, mas a saudade, inequivocamente, vai doer.
[Domingo, Junho 21, 2009]
< NOVA IMAGEM >
"É você que invadiu o centro do espelho"
(Tribalistas)
Sorrisos se refletiam, paralelos, como se espelhados. As imagens sobrepostas tão semelhantes são prova reveladora de que é possível encontrar a sintonia de alma. O corpo que rastejava no deserto percebeu que já não estava só: havia um espectro em sentido contrário, também à procura.
Encontraram-se no limiar dos universos e, feito Alice e suas viagens maravilhosas e surreais, dissolveram o medo e mergulharam no sonho. Atravessaram para a outra dimensão e viveram a realidade como fantasia.
[Sexta-feira, Junho 12, 2009]
< NOVO FOGO >
“Vamos acordar, hoje tem um sol diferente no céu
Gargalhando no seu carrossel, gritando nada é tão triste assim
É tudo novo de novo, vamos nos jogar onde já caímos”
(“Tudo Novo de Novo”. Paulinho Moska)
Quando menos se espera, dispara-se um gatilho invisível, que percorre as entranhas com força devoradora e irrefreável, capaz de modificar pensamentos, sentimentos, perspectivas e dar sentido a uma busca. Como se acendesse luz num quarto escuro, pintasse um cenário em preto e branco e revigorasse esperanças.
Eu, que carregava o coração embrutecido com sucessivos baques, é como se esquecesse o passado e não tivesse medo de me arriscar novamente, atirando-me ao abismo sem medir a altura do tombo. É que sempre creio numa conjunção astral mirabolante que vai trazer um final feliz. Uma hora dá certo. Tem que dar.
[Quinta-feira, Junho 04, 2009]
< "TUDO O QUE É SÓLIDO DESMANCHA NO AR"?>
"[...]Sou um corpo voante e conservo bolsos, relógios, unhas,
ligado a terra pela memória e pelo costume dos músculos,
carne em breve explodindo. [...]
caio verticalmente e me transformo em notícia”
("Morte no avião". Carlos Drummond de Andrade)
Grudamos os olhos na TV e assistimos estarrecidos e incrédulos ao desaparecimento do avião da Air-France. Somos todos mutilados do acidente, nos sentimos vítimas e nos solidarizamos com a dor da perda dos enlutados.
Na tríade descrita por Lacan a respeito do equilíbrio alcançado com o real-simbólico-imaginário, sentimos falta do real, do palpável, porque nossa capacidade de abstração não comporta o não ter o que enterrar. Buscamos explicações para o completo desaparecimento de mais de 200 pessoas, porque é enlouquecedor crer que corpos se desintegram ou se dissolvem em pleno ar - e não era nada disso que Karl Marx queria dizer no "Manifesto Comunista", quando escreveu: "tudo o que é sólido desmancha no ar".
O ritual de enterro é também um fechamento de ciclos. É poder dar adeus ao corpo físico. Na falta disso, abre-se um vazio insuportável, e por isso lemos biografias deles nos jornais, ou acompanhamos suas histórias na TV. Na era tecnológica-midiática, até mesmo o velório passa a ser virtual.
[Sábado, Maio 30, 2009]
< NOITE >
"Fecharia os olhos sob os anéis dos astros
e entre os violinos e os fortes poços da noite,
descobriria a ardente ideia da minha vida."
(Herberto Helder)
Às vezes eu preciso da escuridão, Mesmo que seja necessário chegar ao fundo, para ascender, com ainda mais força. Desafio as linhas tortas do caminho, receosa dos próximos degraus da escalada.
Não paro. Conjugo mentalmente o verbo "prosseguir". É porque arregalo os olhos quando parece não haver esperanças e, com a noite escura e fechada, o universo me surpreende com as estrelas.
[Domingo, Maio 24, 2009]
< ANJO CAÍDO >
Estava ascendendo para o céu. Olhava para cima sem medo de freio. Já havia esquecido o que era o abismo. Um exame de sangue trouxe a resposta de que eu mais temia.
Só consegui dormir quando o corpo já não tinha mais forças para chorar. Definitivamente a pior dor não é física. Fica martelando em minha mente uma mistura de inconformismo, revolta, raiva, choque. Demorei anos para me reconstruir e encontrar a paz. Enfrentar tudo outra vez? Cair sem pára-quedas?
Não é fácil falar sobre as próprias fragilidades, revelar que se tem medo do desconhecido. É um luto interno. Novamente estou com as asas cortadas.
[Sexta-feira, Maio 15, 2009]
< INTENSIDADE >
“Que te devolvam a alma
Homem do nosso tempo.
Pede isso a Deus
Ou às coisas que acreditas [...]
Ruge, como se tivesses no peito
Uma enorme ferida
Escancara a tua boca
Regouga: A ALMA. A ALMA DE VOLTA."
(“Poemas aos Homens do nosso tempo”. Hilda Hilst)
 Eu mergulho. Faço tudo com entrega total, com absoluta instensidade. Coloco a alma como sujeito das minhas orações, enquanto ao redor parece que o desejo de aspirar o ouro se faz superior.
É por isso que grito. Pinto uma tela expressionista. Busco ser protagonista de meu roteiro. Porque quero vencer o cinza da multidão. Quero ser notada.
Comprometo-me com mais atividades de que posso cumprir, viro noites sem fechar os olhos porque não abro mão da qualidade do que ofereço: meu pensamento. Mas, apesar de tudo, estou sempre devendo. Para mim e para o mundo. Minha devoção é inconstestável. Absolutamente ninguém nota. E apago. Dilaceram-me os sonhos, levo a realidade como golpe.
[Sexta-feira, Maio 01, 2009]
< SIONISMO DA DIÁSPORA >
Amo o Brasil. Minha lealdade é pétrea e absolutamente inegociável e, apesar dos seus infinitos problemas, ele me enche de orgulho. Por ele trabalho e por ele luto.
Mas o sentimento de alma é tão óbvio quanto inexplicável: embora eu seja brasileiríssima, é muito provável que jamais alguém me encontrará empunhando uma bandeira do Brasil, mostrando o amor pela pátria em pleno 7 de setembro.
Entretanto, pareceu-me natural, nessa semana, envolver-me com as cores azul e branca da bandeira de um país escondido no meio do Oriente Médio, e participar das celebrações dos 61 anos de existência de Israel, com devoção como se eu estivesse lá, como se lá fosse minha pátria, meu lugar.
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