::DECIFRA-ME OU DEVORO-TE::




DECIFRA-ME OU DEVORO-TE

Essa de cima sou eu. Mas sou mais que um simples nome, um rosto ou um rótulo: tenho alma, sentimentos, coração...
Tenho urgência pra me expressar,
uma urgência angustiante, como se,
sem isso, faltasse alguma coisa, ou eu não pudesse me perpetuar.
Quero espalhar as letras, formar palavras e transformá-las em esperança, vida, amor, sentimento, intensidade e luta. Continuo sempre na mesma corrida contra o tempo, como se precisasse concretizar todos os meus sonhos
num passe de mágica, num abrir
rápido e profundo de olhos.
Tenho pressa, muita pressa, para alcançar a completude, então faço mil coisas ao mesmo tempo,
“atiro” pra todos os lados. Fico exausta, mas no fundo, quero só ser feliz.
Sou jornalista e bacharel em Letras. Faço mestrado na USP. Por enquanto, o maior desejo é trilhar a Estrada da Vitória.
Não sei viver de “meio sonho”.
Vou em busca dos meus ideais sempre, custe o que custar...
Sou muito sonhadora e vou em busca de tudo o que aspiro. SEMPRE.


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[Sexta-feira, Julho 03, 2009]

< DE CABEÇA PARA O AR >

Se o inferno existe, ele pode ser traduzido como uma casa em vias de mudança: reina o caos e o desespero. Não há espaço para vida humana. Todos os cantos foram tomados pelas caixas, Nossa vida está embalada, empacotada, selada com fita durex e parece que nunca mais conseguiremos colocar os pertences em suas devidas posições.

Queria "varinha mágica" que transportasse todos os pacotes, e já pusesse seus conteúdos no novo espaço em que ficarão. Nada pode ser mais desesperador do que ter em seu próprio lugar um não-lugar.


[Sábado, Junho 27, 2009]

< PREPARANDO AS MALAS >

O conceito de "lar" foi a vida inteira o mesmo. A mesma casinha, o espaço confortável que nos abrigou e fez parte de nossa memória.

Essa semana fechamos um ciclo dessa história. Vamos nos mudar. É um lugar maior, com mais conforto. Por melhor que isso seja, até nos acostumarmos ao novo conceito de "lar", pode soar ridículo, mas a saudade, inequivocamente, vai doer.


[Domingo, Junho 21, 2009]

< NOVA IMAGEM >

"É você que invadiu o centro do espelho"
(Tribalistas)


Sorrisos se refletiam, paralelos, como se espelhados. As imagens sobrepostas tão semelhantes são prova reveladora de que é possível encontrar a sintonia de alma. O corpo que rastejava no deserto percebeu que já não estava só: havia um espectro em sentido contrário, também à procura.

Encontraram-se no limiar dos universos e, feito Alice e suas viagens maravilhosas e surreais, dissolveram o medo e mergulharam no sonho. Atravessaram para a outra dimensão e viveram a realidade como fantasia.


[Sexta-feira, Junho 12, 2009]

< NOVO FOGO >

“Vamos acordar, hoje tem um sol diferente no céu
Gargalhando no seu carrossel, gritando nada é tão triste assim
É tudo novo de novo, vamos nos jogar onde já caímos”

(“Tudo Novo de Novo”. Paulinho Moska)



Quando menos se espera, dispara-se um gatilho invisível, que percorre as entranhas com força devoradora e irrefreável, capaz de modificar pensamentos, sentimentos, perspectivas e dar sentido a uma busca. Como se acendesse luz num quarto escuro, pintasse um cenário em preto e branco e revigorasse esperanças.

Eu, que carregava o coração embrutecido com sucessivos baques, é como se esquecesse o passado e não tivesse medo de me arriscar novamente, atirando-me ao abismo sem medir a altura do tombo. É que sempre creio numa conjunção astral mirabolante que vai trazer um final feliz. Uma hora dá certo. Tem que dar.


[Quinta-feira, Junho 04, 2009]

< "TUDO O QUE É SÓLIDO DESMANCHA NO AR"?>

"[...]Sou um corpo voante e conservo bolsos, relógios, unhas,
ligado a terra pela memória e pelo costume dos músculos,
carne em breve explodindo. [...]
caio verticalmente e me transformo em notícia”

("Morte no avião". Carlos Drummond de Andrade)


Grudamos os olhos na TV e assistimos estarrecidos e incrédulos ao desaparecimento do avião da Air-France. Somos todos mutilados do acidente, nos sentimos vítimas e nos solidarizamos com a dor da perda dos enlutados.

Na tríade descrita por Lacan a respeito do equilíbrio alcançado com o real-simbólico-imaginário, sentimos falta do real, do palpável, porque nossa capacidade de abstração não comporta o não ter o que enterrar. Buscamos explicações para o completo desaparecimento de mais de 200 pessoas, porque é enlouquecedor crer que corpos se desintegram ou se dissolvem em pleno ar - e não era nada disso que Karl Marx queria dizer no "Manifesto Comunista", quando escreveu: "tudo o que é sólido desmancha no ar".

O ritual de enterro é também um fechamento de ciclos. É poder dar adeus ao corpo físico. Na falta disso, abre-se um vazio insuportável, e por isso lemos biografias deles nos jornais, ou acompanhamos suas histórias na TV. Na era tecnológica-midiática, até mesmo o velório passa a ser virtual.


[Sábado, Maio 30, 2009]

< NOITE >

"Fecharia os olhos sob os anéis dos astros
e entre os violinos e os fortes poços da noite,
descobriria a ardente ideia da minha vida."

(Herberto Helder)


Às vezes eu preciso da escuridão, Mesmo que seja necessário chegar ao fundo, para ascender, com ainda mais força. Desafio as linhas tortas do caminho, receosa dos próximos degraus da escalada.

Não paro. Conjugo mentalmente o verbo "prosseguir". É porque arregalo os olhos quando parece não haver esperanças e, com a noite escura e fechada, o universo me surpreende com as estrelas.


[Domingo, Maio 24, 2009]

< ANJO CAÍDO >

Estava ascendendo para o céu. Olhava para cima sem medo de freio. Já havia esquecido o que era o abismo. Um exame de sangue trouxe a resposta de que eu mais temia.

Só consegui dormir quando o corpo já não tinha mais forças para chorar. Definitivamente a pior dor não é física. Fica martelando em minha mente uma mistura de inconformismo, revolta, raiva, choque. Demorei anos para me reconstruir e encontrar a paz. Enfrentar tudo outra vez? Cair sem pára-quedas?

Não é fácil falar sobre as próprias fragilidades, revelar que se tem medo do desconhecido. É um luto interno. Novamente estou com as asas cortadas.


[Sexta-feira, Maio 15, 2009]

< INTENSIDADE >

“Que te devolvam a alma
Homem do nosso tempo.
Pede isso a Deus
Ou às coisas que acreditas [...]
Ruge, como se tivesses no peito
Uma enorme ferida
Escancara a tua boca
Regouga: A ALMA. A ALMA DE VOLTA."

(“Poemas aos Homens do nosso tempo”. Hilda Hilst)


Eu mergulho. Faço tudo com entrega total, com absoluta instensidade. Coloco a alma como sujeito das minhas orações, enquanto ao redor parece que o desejo de aspirar o ouro se faz superior.

É por isso que grito. Pinto uma tela expressionista. Busco ser protagonista de meu roteiro. Porque quero vencer o cinza da multidão. Quero ser notada.

Comprometo-me com mais atividades de que posso cumprir, viro noites sem fechar os olhos porque não abro mão da qualidade do que ofereço: meu pensamento. Mas, apesar de tudo, estou sempre devendo. Para mim e para o mundo. Minha devoção é inconstestável. Absolutamente ninguém nota. E apago. Dilaceram-me os sonhos, levo a realidade como golpe.


[Sexta-feira, Maio 01, 2009]

< SIONISMO DA DIÁSPORA >

Amo o Brasil. Minha lealdade é pétrea e absolutamente inegociável e, apesar dos seus infinitos problemas, ele me enche de orgulho. Por ele trabalho e por ele luto.

Mas o sentimento de alma é tão óbvio quanto inexplicável: embora eu seja brasileiríssima, é muito provável que jamais alguém me encontrará empunhando uma bandeira do Brasil, mostrando o amor pela pátria em pleno 7 de setembro.

Entretanto, pareceu-me natural, nessa semana, envolver-me com as cores azul e branca da bandeira de um país escondido no meio do Oriente Médio, e participar das celebrações dos 61 anos de existência de Israel, com devoção como se eu estivesse lá, como se lá fosse minha pátria, meu lugar.


[Domingo, Abril 19, 2009]

< REFLEXÕES >

"Teus ombros suportam o mundo"
(Drummond)


Algum tempo afastada, e não é para menos. Existe muito mundo e não estou dando conta dele. Nem dele, nem de mim.

Trata-se da inquietação natural de quem está defronte a um oceano querendo dar conta de desbravá-lo em cima de uma canoa. Ainda não consegui um bom emprego, o almejado sucesso, um caminho bem traçado, um tantinho de reconhecimento. Meus sonhos tão bem traçados não acompanham meus passos cambaleantes.

Apesar disso, eu, que quase nunca me encontro em algo, estou amando as aulas do mestrado. Verdadeiro fascínio na descoberta de tantas teorias que explicam com tanta perfeição o que nossos olhos se acostumaram a ver na prática. Mas alguns vazios não consigo superar. Como o de estar sábado à noite, em casa, em silêncio, sozinha.


[Sábado, Abril 04, 2009]

< CINCO ANOS DE LENDA >

Não é uma data para guardar na memória, mas todos os anos não a dissocia de seu calendário. O abismo infindável tornou-se uma cicatriz.

A doença rara no fígado era seu cartão de visitas. Hoje é só um capítulo de sua história. A menina pessimista de olhar derrotado mostrou uma qualidade “mitológica” e, feito ave fênix, depois de autocombustão, provou para quem quisesse ver que, inegavelmente, renasceu das cinzas.


[Segunda-feira, Março 23, 2009]

< PARADOXOS >

"[...]Uma parte de mim
é só vertigem:
outra parte,
linguagem.

Traduzir-se uma parte na outra parte
— que é uma questão de vida ou morte —
será arte?"


("Traduzir-se. Ferreira Gullar")


Ficar à espera é viver de expectativas, aguardar sempre o próximo passo e não aproveitar o presente, morrer de ansiedade de algo que talvez inexista.

Quero pular etapas, eliminar contradições, ter um currículo invejável e me manter jovem, ser realista e esperar o príncipe encantado, berrar minhas incongruências e guardá-las para mim.

Oscilo num piscar de olhos da timidez à ousadia, da dor lancinante a um saboroso sorriso, do silêncio introspectivo ao falar desenfreado. Às vezes traço passos incertos, ando cambaleante, esmoreço, enfrento dissabores, quase caio, levanto, prossigo.


[Sexta-feira, Março 06, 2009]

< ASSOPRANDO AS VELAS >

“Não me deixe viver o que posso.
Que me seja permitido desaprender os limites”

(Fabrício Carpinejar)


Mesmo crescida, eu continuo a admirar castelos de areia e sonhar com outras realidades, como se eu estivesse imersa em um conto de fadas e minha vida seguisse um roteiro de romance ficcional.

Completo 24 anos. Nos ombros, o peso do mundo, as responsabilidades, trabalhos, compromissos, a vida “adulta”. Mas os pés no chão não me afastam de sonhar com o “príncipe encantado”, em me decepcionar com “vilões”, em enfrentar inimigos invencíveis e ver nas vitórias os pequenos milagres do dia-a-dia. A áspera realidade não venceu (ainda) a menina sonhadora, que ainda crê no impossível – sobretudo o final feliz.


[Sábado, Fevereiro 28, 2009]

< (DES)CONSTRUÇÃO >

"A necessidade mais premente do ser humano é tornar-se ser humano"
("Uma Aprendizagem ou o Livro dos Prazeres". Clarice Lispector)


Meu desespero por mudanças está intrinsecamente relacionado ao meu equilíbrio: tal qual a bicicleta, a estabilidade só existe com movimento.

Vencer a inércia é minimizar a aflição de minha falta de ar. É uma ansiedade descomedida, que vem com a certeza de que preciso respirar muito, porque o mundo não cabe dentro de mim.


[Segunda-feira, Fevereiro 16, 2009]

"Por muito tempo achei que a ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim[...]"


(Ausência. Carlos Drummond de Andrade)


Existe a solidão de alma, que mesmo quando se está rodeado de gente, é como se estivesse em um imenso vazio. Há uma dor física destruidora, quase corrosiva. É um buraco oco aberto no peito.

O relógio continua quebrado, porque é simbólico. Não quis consertar, porque parou logo depois que pedi a Deus para parar o tempo. Eu já sentia o cheiro de adeus. Não poderia apertar o botão de "rewind" e viver tudo outra vez. Eu sabia que a continuação do sonho seria só uma recordação esculpida na memória, um resquício de epifania.


[Segunda-feira, Fevereiro 09, 2009]

< CRESCIMENTO >

O animal dentro do ovo, mesmo frágil, prepara-se para nascer, aplica uma força descomunal e quebra o invólucro. Assim, ele enfrenta a vida já fortalecido.

Se quebrarmos por ele antes do tempo, acreditando que o bicho é delicado demais, cometemos um equívoco gigantesco. Ele não está preparado e seu corpo franzino não consegue enfrentar as agruras do mundo. Ele morre.

Se os pais pudessem, pegariam todas as nossas dores, nos protegeriam em uma redoma anti-sofrimento, anti-problemas, anti-tudo-do-mundo. Mas não podem. Eles sabem que não devem nos defender para sempre. Crescer faz parte da vida. Dói, mas passa.


[Sábado, Janeiro 31, 2009]

< DE VOLTA AO BRASIL >




Eu voltei. Melhor dizendo, meu corpo voltou. A alma eu esqueci de trazer. Certo, vamos ser realistas: deixei propositada e conscientemente por lá.

Israel mexe sobremaneira com os meus sentidos, revira minhas entranhas, proporciona um inexplicável senso de bem-estar. É como se eu me encontrasse lá, não cá. Passar o último mês em Israel foi surreal.

De volta a Sao Paulo, à rotina e tudo mais, só me resta a "depressão-pós-viagem". Depois de viver dias tão intensos, dá até um certo desespero e um vazio imenso de ter que recomeçar a vidinha por aqui.

Um coração estilhaçado de saudade faz parte das coisas que preciso administrar, mas sei que é preciso "aterrisar". Enfim, seguir a marcha....


[Terça-feira, Dezembro 23, 2008]

< FINALMENTE: FÉRIAS! >

"Preso a canções, entregue a paixões que nunca tiveram fim
Vou me encontrar longe do meu lugar
Eu, caçador de mim"

("Caçador de Mim". Milton Nascimento)


Estou a poucas horas de pegar o avião e atravessar o mundo. Vou ficar um mês naquele pequeno lugar, escondido no meio do Oriente Médio, quase imperceptível no mapa, mas tão simbólico, intenso e significativo.

Resoluções para o Ano Novo: "me permitir viver".

Vou tentar atualizar o blog normalmente. Vamos ver se haverá tempo.

"Eretz Israel", Terra de Israel, estou chegando!


[Domingo, Dezembro 14, 2008]

< CONTAGEM REGRESSIVA >

Finais de ano tendem a ser absolutamente desgastantes. Fiz as provas do curso de Letras, as últimas dessa graduação! Fechei um ciclo importante e especial de minha vida.

Os últimos dias do ano se aproximam e, com tanta correria, coisas por fazer e um check-list infinito, parece que a rotina no trabalho se arrasta. Conto os dias para estar em outro lugar.

Penso novamente no sol colorindo de dourado a cidade de Jerusalém, no vento gelado batendo na face no topo de Massada, no meu ranger de dentes ao boiar no Mar Morto (e gelado), na caótica Tel Aviv onde habita a escritora alvo de meu mestrado e suspiro. Suspiro profundamente.

E meus chefes gritam exigindo produtividade máxima na última semana, mas os pensamentos já estão longe....


[Terça-feira, Dezembro 02, 2008]

< FULL-TIME >

Fui engolida por um monstro que insiste em aparecer todo final de semestre, o cruel Devorador de Tempo!

As tarefas se acumulam de maneira desesperadora e são inversamente proporcionais à motivação que tenho em cumpri-las. Por que é que eu NUNCA consigo me organizar?